domingo, 11 de setembro de 2011

Do Harém ao harém

 

por maneco nascimento

harém . [Do fr. harém ár. *arCm , 'aquilo que é proibido, ou que se deve manter fora de alcance, defendido'; 'objeto ou pessoa sagrada'; 'santuário, lugar inviolável'; 'a parte da casa reservada à mulher (e à qual um estranho não pode ter acesso)'; 'a(s) esposa(s)'.] S. m. 1. Parte do palácio do sultão muçulmano onde se acham encerradas as odaliscas; serralho. 2. O conjunto das odaliscas de um harém. 3. Parte da casa muçulmana destinada à habitação das mulheres. 4. Fig. V. prostíbulo. [Cf. arem, do v. arar.] (fonte: www.harem.blogspot.com.br/)

Surgido no ano de 1985, o Harém Pictures de Teatro/Grupo Harém de Teatro tinha em suas prerrogativas primeiras a abertura de canais e territórios para a cena que se propunha impor o homem brasileiro no centro da cena. Discurso dono das falas de qualquer projeto cênico nacional moderno, ele veio com a força do jovem Grupo piauiense para novas linguagens e signos transgressores.

Assim o Grupo Harém de Teatro desenhou a própria forma e determinou seu espaço de atuação e mercado de encenação, somando-se ao histórico do teatro local já existente e perseverante. Dos primeiros passos do Grupo, a montagemO trágico destino de duas Raimundas ou Os dois amores de Lampião antes de Maria Bonita e só agora revelados”, direção e dramaturgia de cena de Arimatan Martins, foi sem dúvida o grande começo de tudo.

Texto de Chico Pereira da Silva, uma das peças que compõe a Tetralogia "Raimunda Raimunda", que o autor piauiense, de Campo Maior, dedicou à amiga Fernanda Montenegro, no começo da década de 1970, já trazia uma renovada leitura para teatro de autor genuinamente afeito da identidade brasileira a nordestes descobertos no descentrado universo da fala nacional.
 (Cena dos caminhoneiros: Francisco Pelé, Airton Martins e Marcel Julian/"Raimunda Pinto, sim senhor!", de Chico Pereira da Silva)

Das outras peças da tetralogia, “Raimunda Jovita na roleta da vida ou Quis o destino: de Pucella e Ninon”, montagem do Grutepe, com direção e dramaturgia de cena de José da Providência; “Raimunda Pinto, sim senhor!”, direção e dramaturgia de cena de A. Martins, o maior sucesso de público, crítica e bilheteria do Harém, ficou no ar por 19 anos até fechar carreira em 2011 e “Ramanda e Rudá”, montagem de São Luis, do Maranhão, com direção do argentino Marcelo Flexa.
Das boas relações sociais, criativas e interacionais de estética e plástica cênicas o Harém de Teatro solidificou e parcerizou respostas e encontros não só com os diretores e atores que passaram pela carpintaria de Chico Pereira da Silva, como reiterou laços de amizades cênicas com o Brasil que parecia desdenhar a força do teatro amador do Piauí.

Na esteira do Grutepe, agremiação bem reconhecida fora das fronteiras do estado, o Harém foi furacão de defesa e renovação do olhar para a nossa cena e garimpou os + diversos prêmios comOs dois amores de Lampião...”, “Raimunda Pinto...”, “O Vaso suspirado”, textos de Chico Pereira eO Auto do Lampião no Além”, d’outro piauiense mágico à dramaturgia ao palco, Gomes Gampos.

Ampliando sua teia de autores nacionais montou, de Plínio Marcos, “O assassinato do Anão do caralho grande”, direção e dramaturgia de cena de Arimatan Martins; “Dois perdidos numa noite suja”, em parceria com o Extremo de Teatro, de Almada/Portugal e, repetindo a dobradinha de nações, “Quando as máquinas param”. As duas últimas montagens, direção e dramaturgia de cena de Fernando Jorge, diretor de teatro do Extremo.
 (elenco de "O Assassinato do anão do caralho grande", de Plínio Marcos)

 Nos 25 anos completos, O Harém devia-se um autor + ampliado das nossas fronteiras, mas não fora da identidade ibérica. Da nova investida, “A Casa de Bernarda Alba”, do granadino Garcia Lorca, um dos + montados e respeitados na cena mundial, também recebeu olhar de Arimatan Martins e grafou latitudes e longitudes na geografia dramtúrgica a nordestes e Espanha.
(Bernardas do Harém: "A Casa de Bernarda Alba", de Garcia Lorca)

 Do começo de tudo em que o trocadilho do nome de identidade do Grupo tinha relação direta com o enredo deO trágico destino de duas Raimundas ou Os dois amores de Lampião antes de Maria Bonita e só agora revelados”,em que o Rei do Cangaço mantinha um harém, para agrado e confronto da sultana Raimunda Borborema, a agremiação Harém ficou tendo como pedra base um elenco masculino, fazendo caminho inverso do harém de cultura muçulmana.

Esse harém às avessas rendeu “horrores” de sucesso. Com montagens em que homens fizeram as vezes de personagens femininas e sempre muito bem realizadas. Como diria o diretor Arimatan, em defesa de sua dramaturgia, era preciso que atores pudessem vivenciar, na cena, a alma e sentimentos femininos para compreender a força da mulher brasileira traduzida pelos autores.
(Cena da troca de maridos/"Raimunda Pinto sim senhor!", de Francisco Pereira da Silva)

Um Harém para todo o permitido, dentro do alcance e do defendido, estudo do objeto à ciência do sacro e profano, é santuário violável ao diverso das estéticas, lugar e casa reservados ao homem (genérico) e às falas do espírito universal. Nesse local causaria estranheza o não acesso a casamentos de linguagens e línguas próprias da cena.

O Harém de Teatro, nos seus 26 anos de história planejada, é espaço de homens e mulheres livres e receptáculo de arte e cultura do diverso do espírito humano.
 
Fonte: manekonascimento.blogspot.com

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Refletindo Sobre o Encontro de Diretores Lusófonos


*Jaqueline Carvalho Bezerra
Artista Visual-UFPI


Arimatan Martins, Elliot Alex, Fernando e Simão, Fernando Jorge, Hélder Costa, Idalétson Delgado, João Andirá, Marcelo Flecha e Silvio Zilber formaram o conjunto de identidades de língua oficial português, no encontro dos diretores do 4º Festival de Teatro Lusofóno - FESTLUSO em Teresina no Piauí.   
O marcante encontro entre esses grandes dirigentes das encenações dramatizadas ao longo do FESTLUSO traçaram metas a ser cumprida durante os próximos seis anos de festival no Piauí, a intenção é concretizar uma por ano até o 10º Festival que passa por um processo de renovação a cada ano. O Festival de cunho internacional põe o estado do Piauí como um novo circuito cultural a nível nacional, e está sendo repensado em virtude das atuais políticas públicas culturais do País. “É necessário, pois a cada dois anos temos eleições o que inviabiliza a vinda de recursos, por isso estamos repensando a forma de se realizar o Festival nos próximos anos. Enquanto estamos realizando o Festival vários editais estão fechando e não podemos participar porque ainda vamos prestar conta do que está em percurso.” afirma Airton Santos um dos diretores administrativos e ator do Grupo de Teatro Harém idealizador do FESTLUSO.
O encontro inusitado dos diretores de países como Angola, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e Brasil com representantes dos Estados do Piauí, Maranhão, Bahia e Paraná reforçou a singularidade do Encontro, uma vez observado que não há outro realizado no Brasil com tais características. “Um evento acolhedor, caseiro. Caseiro porque podemos interagir com outros diretores sem a pressão de estar em competição, aqui podemos sentar e discutir estratégias, interagir nas mais variadas formas da produção teatral e das políticas culturais, as vezes vamos a eventos e mal encontramos a equipe técnica.” afirma risonho Silvio Zilber fundador da escola de teatro Macunaíma e um dos grandes nomes do teatro nacional que lembrou completar 50 anos no  fazer teatral.
O Lusófono que este ano fez homenagem a Teresina, com o tema “Teresina é um espetáculo” mostrou a perfeita dança entre as inúmeras identidades que o ventre teresinense gera e recebe. Na reunião representantes de Portugal, país colonizador da maior parte dos países presentes, numa conversa saudável e produtiva, deixou claro que aqueles embora façam parte de um país colonizador sempre estiveram no lado que permanecem até hoje, o lado democrático da cultura. É importante salutar uma vez que no encontro havia países africanos que conseguiram sua independência através de luta armada há no mínimo 35 anos e outros que ainda sofrem com a guerra civil e destes todos, Angola vem surpreendendo, pois já há quem arrisque dizer que será a próxima potência.  
Durante o festival propositalmente especulei: “Este é um evento que foge do eixo cultural nacional...”, era omisamente ao Rio de Janeiro e São Paulo a referencia, “...como você avalia?”, para surpresa o diretor Elliot Alex se debruçou sobre a questão quando veemente em uma segunda oportunidade respondeu que naquele momento não estaria acontecendo nenhum festival de lusofonia no mundo, porque todos estavam ali, por isso o Piauí passava a ser o centro das atenções e por isso não existia essa de fora do eixo, mas sim dentro do eixo, porque naquele momento a capital internacional da Lusofonia era Teresina, encerrou Elliot. Esse momento ficou claro porque “Teresina é um espetáculo”, mas que no seu todo ainda precisa ser reconhecida e valorizada pelos próprios piauienses.              
Diante de tantos assuntos e trocas, no teatro algo principal não pode faltar, o público. Esse foi um dos alvos de discussão e certamente o mais preocupante, enquanto o jovem e bem articulado diretor Idalétson Delgado comentava sua conquistada trajetória até a chegada ao Festival, teceu um comentário distinto: “fazemos um teatro social, acessível”, essa frase foi o fio inicial para o diretor Marcelo Flecha incitar que no Brasil em qualquer situação o teatro deve ser social e acessível, o problema é que o teatro está inacessível, porque boa parte da população “não possui condições” para ir ao teatro, menos de 10% da sociedade brasileira sendo muito generoso completa Marcelo. Embora o Festival de Teatro Lusófono ofereça entrada franca, a muito venho na qualidade de artista e produtora contemplando e incitando a idéia de formação de público, pensando também na Bienal que o Piauí aos poucos vem construindo e que sediará nos próximos biênios, para não continuar uma arte feita por artistas para artistas contemplar. Claro! Levando ao pé da letra é isso que acontece. Por isso não adianta ser gratuito se não há essa formação de público, sem ela sempre haverá uma restrição natural de público.  
É valido lembrar que esse processo de formação de público depende de uma gestão política pública cultural, em parceria com órgãos educacionais e tantos outros que trabalhem em prol do desenvolvimento da capacidade humana. Cultura é o marco identificador de uma sociedade capaz de movimentar a economia, mas depende de um plano de ação. Nosso Estado possui potencial para atrair recursos econômicos pelo viés do turismo e da cultura, começando pelo festival de teatro internacional que é sem tradução, mas, o governo na sua forma mais completa e efetiva deve elaborar planos para atrair turistas ao nosso Estado, e dentro deste fomentar uma estrutura solida para o turismo, até porque 2014 está chegando. 
E enquanto fica os sabores degustados e muitos ainda por analisar do FestLuso 2011, logo surge os primeiros questionamentos para 2012, resultado do encerramento do 4º festival após o comentário de Francisco Pellé que anunciou pela primeira vez na história do Festival de Teatro Lusófono não lançar a data para a 5ª edição, em outro momento Pellé expôs que 2012 será o  ano do Brasil em Portugal e Portugal no Brasil e que o Festival precisa ser repensado para que haja um fluxo, uma vez que o número de companhias de alguns países que vem participando do evento vai esgotando enquanto outros nunca estiveram aqui como as de Guiné-Bissau. Assim “Teresina é um espetáculo” concretizou nesta 4ª edição de Lusofonia um evento cultural no Estado do Piauí que merece diferenciada atenção.


Teresina-Piauí-Brasil
Agosto 2011

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Mar de belo



por maneco nascimento
“(...) E eis que é chegado o momento de encontrar outros olhares, tecer outras redes, desembocar em outras águas e embarcar em viagens ímpares com tripulações a cada noite, sempre embalados no mal-me-quer-bem-me-quer do cair das pétalas que fazem esse mar que nos quer.” (A Outra Companhia de Teatro)
O Teatro Estação recebeu, fechando sua programação lusófona, um mar de beleza e poesia transmutada para a cena em “Mar Me Quer”, montagem dA Outra Companhia de Teatro, de Salvador, da Bahia, em 27 de agosto de 2011, no horário das 23 horas.
Texto/Inspiração nas veias lingüísticas de Mia Couto e Natália Luiza, com Direção/Dramaturgia de Luiz Antônio Jr., Adaptação para carpintaria de cena de A Outra Companhia de Teatro e Assistência de Direção de Israel Barreto e Hayaldo Copque, o espetáculoMar Me Quertem cheiro de maresia e sabor de terreno lambido pelo sal das marés e memórias praieiras.
A Direção Musical de Marco França para o repertório apresentado vai se derramando e embalando as memórias contadas e recontadas, enquanto os intérpretes vão intercalando-se nas mesmas personagens.
A Cenografia de Lorena Torres Peixoto, com Assistência de Maurício Dominguez é prática, funcional e de integração poética nas relações das personagens enredadas.
A peça tem luz própria que assoma qualificável sustentação para as lâminas de AC Costa e Marcos Dedé. Os costumes, apresentados pelas costureiras Letícia Santos e Saraí Reis, arredondam as composições sobrepostas ao mapa cenográfico e se ampliam no contato com a Caracterização realizada por Luiz Santana e Catarina Rosa Campos.
Ainda estão na linha de frente ao resultado de “Mar me Quer” a Preparação Corporal de Fábio Vidal e a Preparação Vocal de Diana Ramos que fecham-se ao conjunto técnico com a Consultoria de Dramaturgia e Encenação de Fernando Yamamoto.
Há, na carpintaria dramatúrgica, um ambiente natural povoado de silêncios e ruídos de mares contados, tempos partidos e vidas reinventadas que se impõem à força de Mia Couto e sua literatura de identidade comum a qualquer universo conspirado.
As histórias contadas por Eddy Veríssimo, Luiz Buranga, Israel Barreto e Roquildes Júnior têm força de crédito às verdades estabelecidas na cumplicidade do ato dramático. Um equilíbrio de falas, pensamentos altos e diálogos interagidos por oralidades de corpos e signos capturam inflexões e digerem zelo e cuidado ao ato doMar Me Quer” traduzido.
Luarmina, Zeca, Avô Celestiano e Agualberto devassam mar de memórias, navegam no sonho de perdas e recuperações e lavam nas águas ora turbulentas, ora de desejo, as calmarias que escorrem pelas vagas das horas velhas, das têmporas do amor e das sombras e luzes da morte.
Um libelo cênico-poético, inspirado na obra de Mia Couto, apresenta-se na fórmula lúdica dA Outra Companhia de Teatro e forma nova impressão de ver as falas do autor na távola do teatro.
E como A Outra Companhia de Teatro aplica ao programa do espetáculo “(...) nos envolvemos com cirandas encantadoras, despetalamo-nos em cada objeto espalhado no quadrado nu, tingimos nossa memória com as cores marinhas da fantasia dos senhores da pesca, nos descobrimos flor, mar, lua, pássaro e barco... afinal: ‘os olhos de quem amamos são um barco’ (...)” (Idem).
A Outra Companhia de Teatro espalhou suas águas e terras deMar Me Querpelo 4º. Festival de Teatro Lusófono – FESTLUSO e deixou gosto de sal na boca e réstia de sol na memória do público presente às horas embaladas no “mal-me-quer-bem-me-quer do cair das pétalas” que fizeram esse mar que nos quis a todos tomar.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O círculo de jaz



por maneco nascimento- ator e radialista
O Festival de Teatro Lusófono – FESTLUSO recebeu em sua programação para o Theatro 4 de Setembro, dia 27 de agosto de 2011, às 21 horas, a obra para cena de nova dança, fruto de criação de marcelo evelin/demolition inc./núcleo do dirceu, intituladaMatadouro”.
No programa apresentado ao público, a informação de que “(...) MATADOURO investiga o corpo como metáfora de um campo de batalha em que a luta travada entre o oficial e o marginal, entre a selvageria e civilidade, entre o território e o mundo globalizado, lança no espaço subjetivo e intermediário do “entre.” Nem lá, nem cá, o indivíduo avança na tensão entre seguir e desistir (...)”
O espetáculo visto se fecha em oito intérpretes, sete homens e uma mulher, numa variação para o mesmo tema em que a performance, durante mais de uma hora, se realiza em o grupo correr em circulo anti-horário. Estão em pelo e mascarados.
Em alguns momentos alguém se desloca do desenho do círculo de jaz e evolui na periferia do núcleo em particularidades do intérprete-criador.
Perseguem, os intérpretes, a trilha original de Franz Schubert, “Quinteto em C Maior”. O público sujeito à premeditada encenação da marca repetida, pareceu desconfortar-se, mas educadamente manteve-se no batente da casa armada pela manifestação da dança contemporânea.
A quebra do lugar comum, talvez em fuga do transe do ruminar das vacas cansadas nas tardes de agosto, licença poética de H. Dobal, ocorre quando um dos de rosto coberto “dá o dedo” para os céus, quem sabe em sinal de anarquia, ou metáfora desdenhosa à terra que lhe nega abrigo, logo a “luta” repetida.
Investigação emprestada de uma parte do romance Os Sertões, de Euclides da Cunha, o capítulo da Luta, deixa sinal de recepção extremamente ampla para os que melhor possam assimilar de primeira e também para os que precisariam, quem sabe, buscar na poeira levantada pelos pés dos guerreiros da terra seca, sinal difuso nas marcas invisíveis e abstratas.
Em busca de recuperação de terra confiscada, marcelo evelin/demolition in. núcleo do dirceu (assim mesmo, grafado em minúsculo na capa do programa da peça) parece debater-se para novos perímetros de ciência da cena em misturas e combinações para as quais as matemáticas ainda se fecham em aritmética de dois e dois fechando em cinco.
A dramaturgia forjada pelos foles de hefestos parece não se reconhecer como da mesma matéria que constrói todo mortal. De ansiosa disputa por reconhecimento divino e limites de propriedade concentrados em poder de ades e zeus de barro, o discurso de emblemas e signos e siglas deMatadouroacaba em forçosa manifestação da justiça pública.
E, ao contrário do “círculo de giz caucasiano” (Bertolt Brecht – 1944/EUA) em que Grusche abre mão de Miguel para não machucá-lo, protegendo-o da disputa de poder da rainha Natella Abaschvíli, as falas e oralidades corporais deMatadouroconspiram a um eufemismo da guerra de amor maternal que, ao tentar puxar os filhos para fora do círculo estabelecido por Azdak, acabam condenando-os ao círculo de jaz.
O estupefato silêncio da platéia, ao final da leitura contemporânea para "Os Sertões", visionada por Marcelo Evelin e traduzida emMatadouronão deixa dúvidas do propósito planejado para o diverso das recepções que poderiam variar entre o entorpecido, o atônito, o assombrado e o estarrecido da assistência presente.
Matadouro”, em cena lusófona no dia 27 de agosto de 2011, deu seu recado e demoliu a comodidade da cidade de Teresina que, sob olhar da nova dança praticada, pode até negar terra e mar aos de sentimentos e vaidades divinos, mas teve que, por princípio da educação de província, ficar até o fim do desmanche da Luta em Os Sertões de olhar eveliniano.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

TEATRO DE TÍTERES



Por maneco nascimento- Ator e radialista

Em sua política de aproximar não só línguas de mesmo tronco lingüístico, mas também linguagens diversas do ato de teatro produzido aqui e alhures, o Festival de Teatro Lusófono – FESTLUSO ganhou público para todas as idades ao confirmar João Andirá, de Curitiba, no Paraná, e seu fabuloso teatro de marionetes, títeres e outras vidas animadas.
Com “Antenor e o Boizinho Voador”, João Andirá possibilitou à cidade de Teresina uma aula de prazeres elementados na fantasia, no lúdico e uma nova ânima à assistência enlevada com a mágica simples e duradoura na memória de quem conviveu com os bonecos de sopro de vida alegre e riqueza de emoções transferidas do artista/manipulador para seres (in)animados.
Com apresentações realizadas, dia 25 de agosto de 2011, às 21 horas, no Theatro 4 de Setembro e dia 27 de agosto de 2011, às 18h30m, no palco do Teatro Municipal João Paulo II, “Antenor e o Boizinho Voadorganhou asas da imaginação e contagiou todas as almas em expectativas livres de envolver-se no mundo encantado de títeres.
Uma tenda comum; um vivo carregando o “morto” em as duas efígies do teatro; uma caixa de surpresas de onde surge a vida de encantos; um ator-contador de histórias que reinventa interações e “linka” a empatia do público ao aparelho de simplificadas magias à caixa cênica, terreno dos manipulados, e a polifonia das vidas ensejadas ao fantástico proposto.
A arte popular de mamulengos e títeres parece ter melhor sustentação no gesto apaixonado de quem domina a técnica. João Andirá e seu ofício andejam pela brincadeira com uma segurança invejável e para cada personagem trazida à cena, uma graça particular e um desejo incontido de sempre quebrar a quarta barreira da marca tradicional. Mérito alcançado, aparentemente, sem esforço.
Um menino sonhador que deseja ter seu boi voador; uma mãe quase gigante de amor para o filho e suas fantasias; um boizinho com decisões próprias, mas solidário com a fé fantasiosa de seu dono; um avô paciente; um macaco zuadento e esperto; pássaros falantes; desertos e rios desconhecidos e uma boa dose de mágica imaginação traduzem a fórmula muito eficaz por onde traqueja João Andirá.
As imagens e o texto popular enredam crianças e adultos para memórias inesquecíveis e risíveis do encantado mundo de  linguagens e falas para pequenos. “Antenor e o Boizinho Voador” segue uma linha tradicional da técnica de manipulação com interação direta com o manipulador em corpo e alma mimetizados.
Uma aula prática de eficiência e paixão pela arte de convencer que poderia ser melhor absorvida, com maior afã de integração, pelos profissionais específicos locais e ou artistas da cena de modo geral.
Quem perdeu as duas apresentações de João Andirá e seuAntenor e o Boizinho Voadorfica-se a dever nova oportunidade de aprender a aprender exercício prático e de beleza simplificada, doado por ator e sua metodologia coletivizados.
Parabéns ao FESTLUSO por flexibilizar oportunidades de encontros que integram culturas e línguas, linguagens e atos de cena diversos e deixam memoráveis alegrias em quem divide sua identidade artística com a cidade.
Evoé, aos artistas que levam consigo lembranças dos melhores ecos por cá repercutidos, as respostas do público presente ao Festival de Teatro Lusófono, e deixam na terra um pouco da diversidade de suas representações.





LÍNGUAS DIALOGADAS



O Teatro Extremo, de Almada, Portugal, em + uma investida no teatro sem fronteiras e reiterando a parceria festejada como o Grupo Harém de Teatro, brindou a cidade de Teresina com “Maria Curie*”, na programação do Festival de Teatro Lusófono – FESTLUSO, com duas sessões de espetáculo delicado e sóbrio para cenas e línguas.
Como texto russo original de Mira Michalowska e Encenação e Dramaturgia do paulista Sylvio Zibber, “Maria Curie” teve vida brilhante em palco local, em duas apresentações, uma no Theatro 4 de Setembro, dia 23 de agosto de 2011, às 21 horas, e outra no Teatro Municipal João Paulo II, dia 26 de agosto de 2011, às 18h 30m.
O Teatro Extremo, com prática de cena rica já provada pelos sítios de cá, também dessa vez não se deixou intimidar. Em enredo que reúne cenografia de um balcão – laboratório e escritório de uma jornalista narradora, vai-se sendo enleado numa costura da vida da cientista de nascimento em domínios russos e laboratório de experiências francês.
Um caminho de luz que recorta, com precisão dramatúrgica, os ambientes de passagem da cientista em seus percalços e glórias de incisiva decisão de estabelecer-se como gênio de sua área, detém a atenção do público mesmo para texto + narrativo, centrado na história da mulher duas vezes laureada com Prêmio Nobel, de Física (1903) e Química (1911).
Mais de uma hora de história bem contada. Monólogos e solilóquios dialogados para línguas aproximadas em voz segura e projeção refinada de Isabel Leitão. Atriz, de delicados pisares na cena e emoções detidamente econômicas, enleia o público por segurança concentrada e inflexões para detalhes de delicados deleites de refletir a alma da personagem expandida.
Tranquila e em sereno abraço da dramaturgia digerida, Isabel Leitão encontra em Sylvio Zibber, desenhador da cartografia desvendada na cena, uma leve e solta desenvoltura para narrativa histórica de memórias recolhidas que, caso não houvesse um detido cuidado e uma estética de bom conhecimento de palco, não garantiria a fuga do enfadonho e do recurso, por vezes, didático.
um equilíbrio para balança da química profissional manipulada e uma devida atomização para físicos e maturos desembolsos de corpo contador da história que, para ensaios de resultados testados, reorienta a física da encenação sem perder a experiência para o lúdico e o fantástico do teatro e ciência combinados.
A música pesquisada que ilustra a trajetória de montagem àMaria Curiepreenche as veias e canais da matéria celebrada em que a verdade nuclear transforma-se em “mentira” premeditada para requintados efeitos da arte de fingir. Isabel Leitão traqueja com liberdade de maturidade de intérprete e encontra porto seguro no mapa do diretor da encenação.
Texto e história de personagem polaca, memórias de França e outras praças, encenação e dramaturgia de diretor paulista, interpretação de atriz portuguesa, palco de representação piauiense e cena de identidade lusófona.
Uma elaborada experiência para respostas diversas e aplicações acertadas.
+ uma vez o Festival de Teatro Lusósofo – FESTLUSO confirma safra a vinho com sabor agradável. Harém de Teatro e Extremo de Teatro reafinam lingüística de cena ampliada e reiteram arte de conhecimento e aproximação para sítios de Portugal, África e + terras abraçadas para oralidades sem tradução.
Serviço: Marie Curie, nome assumido após o casamento por Maria Skłodowska, (Varsóvia, 7 de Novembro de 1867 — Sallanches, 4 de Julho de 1934) foi uma cientista polaca que exerceu a sua actividade profissional na França. Foi a primeira pessoa a ser laureada duas vezes[1] com um Prémio Nobel, de Física, em 1903 (dividido com seu marido, Pierre Curie, e Becquerel) pelas suas descobertas no campo da radioatividade (que naquela altura era ainda um fenómeno pouco conhecido) e com o Nobel de Química de 1911 pela descoberta dos elementos químicos rádio e polônio. (Wikipédia, a enciclopédia livre. acesso 29.08.2011, às 11h40m)
Por Maneco Nascimento - Ator e Radialista

domingo, 28 de agosto de 2011

Último dia de FestLuso!

O FestLuso está chegando ao fim, mas ainda há programação. O Grupo Harém de Teatro, anfitrião do festival, apresenta neste domingo às 17h, no Theatro 4 de setembro, o espetáculo infantil "O príncipe da floresta", livremente inspirado no clássico "O pequeno príncipe".
Entrada franca!